segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pescador de homens

3º domingo do tempo comum
22 de janeiro de 2012.

                                                           Pescador de Homens

Personagens: Tião, Genivaldo, Joseli e D. Fiinha.

Entra em cena Tião com a vara de pescar. Joseli vem logo atrás.
Tião: ai muié, me deixa, já tá escurecendo e nessas horas é que dá muito bagre, depois nóis conversa.
Joseli: mas Tião...
Tião: adespois nóis cunversa, já falei, ôxe.
Joseli: entonce tu vai, Tião, pode ir, deixa que eu resolvo esta história sozinha mesmo...pode ir...dispois num recrama, viu?
Tião: num recrama de que?
Joseli: num interessa...dispois num diz que eu num avisei...
Tião: ai, ai ,ai...fala então, o que que tá acontecendo com a sua mãe, a minha sogra?
Joseli: ela ficou doida.
Tião: isso ela já ficou tem tempo.
Joseli: mas intão piorô. Purque ela só fica por aí andando com uma vara de pescar na mão pra cima e pra baixo,
Tião: ora, mas isso eu tomem faço e num tô doido, ou ocê vai dizer por aí que eu fiquei doido tomem?
Joseli: acontece que...
Tião: acontece nada, a dona fiinha tá querendo pescar, eu vou é chamar ela pra ir mais nóis lá pra beira do rio.
Joseli: mas acontece que...
(chega o Genivaldo)
Genivaldo: bão...tarde...
Tião: ocê demoro ômi...vamo logo que senão os peixe vão dormir e nóis num pega nada.
Genivaldo: nessa lua cheia tá bom de bagre...
Tião: é isso que eu tou falando com a Joseli, mas muié num intende as coisas...
Joseli: eu num intendo mesmo, eu num intendo como é que eu fui casar com um cabeça de bagre que nem tu...
(Joseli sai)
Genivaldo: eita, a muié tá braba...cuidado hein sô...
Tião: cuiado o que homi, ela é que tem que ter cuidado comigo...agora ela veio com uma história...falou que a mãe dela tá doida...
Genivaldo: a dona fiinha? Mas essa tá doida já tem tempo, ó, desde a época que dom Pedro deu o grito do piranga...
Tião: pois é, e foi isso que eu disse...cheguemu...aqui tá bão, vamos pescar logo...faz silêncio...
Genivaldo: mas eu num to falando nada...
Tião: psiu...xiiii...
(chega dona Fiinha. Ela vem com uma vara grande e pesca o chapéu do Genivaldo.)
Genivaldo: ô Tião, devorve o meu chapéu...
Tião: mas eu num vi seu chapéu...vamo pará de conversa  Genivaldo...
(dona Fiinha pesca o chapéu do Tião)
Tião: o Genivaldo, para de faze graça, me dá o meu chapéu...
Genivaldo: eu não peguei o seu chapéu.
Tião: então quem foi?
Genivaldo: foi ela ali, a sua sogra...lá vai ela correndo com o nosso chapéu.
Tião: a véia tá doida mesmo...vamo lá...
(os dois saem de cena. D. fiinha aparece com o chapéu e sai correndo. Até que eles se encontram.)
Tião: dona fiinha, me dá meu chapéu aí?
d. fiinha: num dô.
Tião: Joseli!!!joseli!!!
Joseli: o que é Tião?
Tião: a sua mãe tá doida mesmo. Ela roubou o meu chapéu e o chapéu do Genivaldo e saiu correndo e agora não quer  devorver pra nóis...
Joseli: mamãe, o que tá acontecendo? Se a senhoara queria um chapéu era só falar que eu ia comprar um pra senhora.
d. Fiinha: é nada disso não.
Joseli: é o que então?
d. Fiinha: é que eu tou fazendo o que o padre mandou.
Genivaldo: e o padre agora tá mandando roubar chapéu., é?
d. fiinha: é não, que o padre num ia mandar fazê uma coisa dessa.
Joseli: é o que então?
d. fiinha: ele falou na missa hoje que nós devemos ser pescadores de homens. Era o que eu tava fazendo.
Joseli: mas mamãe, não é nada disso não.
d. Fiinha: é o que então?
Joseli: ser pescador de homens não é sair por aí com uma vara de pescar na mão não, é fazer como Jesus fazia: evangelizar. Falar pras pessoa sobre Deus, sobre conversão, essas coisas.
d. Fiinha: não precisa de vara não?
Joseli: não mãe, só precisa da palavra de Deus e de amor.
d. Fiinha: ainda bem, porque esses aí que eu pesquei não tão com nada, são umas piabinhas de nada...ha, há, há...
Joseli: mamãe!

fim


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